Audiência pública no STF debate criação de cursos de medicina
Debate está sendo conduzido pelo ministro Gilmar Mendes
Debate está sendo conduzido pelo ministro Gilmar Mendes
O ministro Gilmar
Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu nesta segunda-feira (17) a audiência pública
para debater a exigência de chamamento público para a autorização do
funcionamento de novos cursos de medicina.
O ministro é
relator de uma ação declaratória de constitucionalidade (ADO) e de uma ação
direta de inconstitucionalidade (ADI) sobre o tema, abertas pela Associação
Nacional das Universidades Particulares (Anup), que defende a exigência do
chamamento público, e pelo Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras
(Crub), para quem a medida favorece grandes grupos e fere a autonomia
universitária.
O chamamento
público é feito pela administração pública para executar atividades ou projetos
que tenham interesse público. No caso dos cursos de medicina, a imposição do
procedimento para autorizar a abertura está previsto na Lei do Mais
Médicos (Lei 12.871/2013).
Conforme a lei, a
exigência do chamamento permite que o Ministério da Educação, por exemplo,
pré-selecione os municípios onde autorizará novos cursos de medicina, bem como
que imponha critérios para seu funcionamento.
Gilmar Mendes disse
que a audiência deverá fornecer “subsídios técnicos e fáticos” que ajudarão o
Supremo a decidir sobre a controvérsia. Ele enumerou os quatro pontos
principais que espera serem abordados no evento: como é a oferta de médicos no
Brasil, sua evolução e distribuição no território nacional; quais são os
recursos essenciais para o funcionamento de cursos de graduação em medicina;
qual o impacto das políticas públicas, especialmente do requisito prévio de
chamamento publica; qual a dinâmica de mercado de cursos de medicina e
barreiras à entrada; e a atuação da AGU no barramento de liminares.
Novos cursos
De acordo com dados
oficiais, desde que a exigência do chamamento público foi sancionada, em 2013,
foram autorizados a funcionar 160 novos cursos de graduação em medicina, com a
criação de 16.500 novas vagas.
Em 2018, o MEC
decidiu suspender por 5 anos os chamamentos. De acordo com o ministro da
Educação, Victor Godoy, a medida foi tomada para que se pudesse avaliar o
sucesso da nova política pública.
A suspensão se
encerra em abril de 2023 e Godoy disse que o MEC criou, em abril, um grupo de
trabalho para elaborar os regulamentos de novos chamamentos públicos para os
cursos de medicina. Ele disse ver os chamamentos como essenciais para que o
governo possa “direcionar os esforços, de maneira mais equânime, não só nas
capitais do país, mas no seu interior”.
O ministro da
Saúde, Marcelo Queiroga, também defendeu a exigência dos chamamentos públicos
para que se possa autorizar a criação de novos cursos de medicina no país. Ele
criticou a abertura de graduações na área de forma indiscriminada, e disse que
a exigência do procedimento permite também “fechar as escolas que não formam
adequadamente os médicos que a sociedade brasileira precisa”.
Ambos os ministros
se disseram preocupados com as crescentes ondas de liminares (decisões
provisórias) autorizando a criação de novos cursos de medicina, afastando a
exigência legal do chamamento público.
“Só nos últimos 6
meses, o MEC respondeu a 145 ações judiciais, com 65 decisões para
cumprimento”, disse Godoy, acrescentando que “de modo geral, os cursos novos
autorizados unicamente por decisão judicial possuem qualidade inferior”.
Falta de estrutura
Uma das principais
preocupações de quem é a favor do chamamento público para que se possam criar
cursos de medicina é que haja uma estrutura hospitalar que permita a prática
médica dos estudantes antes que se formem.
“Se não há campo de
prática, se não há estrutura pública, nós não podemos ter entrada de novos
cursos. Isso é requisito de qualidade, e qualidade é a única coisa que
pretendemos obter aqui quando pedimos uma liminar”, disse Elizabeth Guedes,
presidente da Anup.
Liminares
Durante a
audiência, a presidente da Anup, Elizabeth Guedes, criticou a abertura de novos
cursos de medicina por meio de liminares. Segundo a presidente, a medida trouxe
insegurança jurídica para o setor.
A presidente também
afirmou que 54% das 5,8 mil instituições de ensino superior tem até 500 alunos
e são consideradas faculdades de pequeno porte.
"A
concentração [de mercado] não ocorre nos cursos de medicina. Os grandes são
grandes porque lograram planos de trabalho, planejamento estratégico e
competência para sobreviver num mercado concorrencial crescendo, e não
decrescendo", afirmou.
Formação
O médico Raul
Cutait disse que a autorização de novos cursos de medicina deve estar
acompanhada da formação dos médicos e dos professores.
"O médico deve
estar preparado para cumprir o juramento, que é fazer bem ao seu paciente. Para
isso, ele precisa ser preparado. Ser médico é complexo, porque ao longo de sua
vida ele precisa desenvolver uma série de competências", disse.
A médica e
professora da Universidade de São Paulo (USP) Ludmilla Hajjar afirmou que o
funcionamento das faculdades de medicina deve ser avaliada em vários aspectos,
como estrutura, qualificação da equipe médica, existência de hospital próprio e
programa de residência médica.
"Nós precisamos priorizar a abertura de escolas que tenham hospitais, programa de residência e pós-graduação. O mais importante é que a gente consiga avaliar a escola e o aluno", explicou.
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
Câmara de Timbó realiza na próxima semana Sessão Solene que abre oficialmente as ativi...
Timbó se consagra Campeão do 39º Torneio de Verão de Indaial
Prefeitura de Timbó firma acordo que garante ganho real e avanços para servidores munici...
Prefeito Flávio Buzzi anuncia mudanças no secretariado de Timbó
ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE